Por
que Urutágua?
O
Urutágua, também conhecido como Urutau e Mãe-da-lua,
é uma ave rara noturna da fauna paranaense e nacional. Seu canto triste
expressa, segundo a lenda, um lamento pela perda da amada. Mimética, confunde-se
com seu habitat, observa tudo à sua volta. Esta sua característica determina
a adoção do seu nome para a revista: somos observadores do meio ao qual
estamos inseridos. Oxalá, possamos superar a mera condição de observador!
Por
que a Revista Urutágua?
A
reflexão, elaboração e divulgação do conhecimento é parte essencial do
esforço desenvolvido coletiva e individualmente no espaço da academia.
O Centro de Documentação Maurício Tragtenberg (DCS) tem procurado
estimular a produção e divulgação de trabalhos que expressam a reflexão
prática-teórica dentro e fora da universidade.
A Revista
Urutágua, é uma proposta do Centro de Documentação Maurício
Tragtenberg (DCS), pensada como um projeto coletivo que envolve graduandos,
pós-graduandos, mestrandos, mestre, doutorandos, doutores, docentes e
pesquisadores no ápice da carreira universitária e pessoas da comunidade
externa à universidade.
Esta experiência
coletiva orienta-se por princípios pedagógicos libertários confirmados
pela multiplicidade de contribuições
Contudo,
os diferentes níveis de acúmulo teórico não induziram a hierarquização
excludente: graduandos analisaram artigos escritos por seus professores
e por seus colegas - garantido o anonimato dos autores; graduandos e pós-graduandos
em especializações e/ou mestrados, escreveram artigos que nada deixam
a desejar a professores e pesquisadores. A organização estrutural da revista
procurou garantir esta horizontalidade: os autores estão dispostos em
ordem alfabética, sem privilegiar este ou aquele.
O respeito
aos titulados, cuja carreira acadêmica está em estágio mais adiantado,
não significa colocá-los no Olimpo.Esta experiência coletiva confirma
que não há saber ou ignorância que sejam absolutos. Educandos e educadores
aprendem mutuamente.
Aprendemos
com Maurício Tragtenberg, Paulo Freire e outros pedagogos, que a arrogância
do típico titulado que se pretende proprietário do saber, o sabe
tudo, absolutiza a ignorância do outro. Esta atitude, além de intensamente
prejudicial ao crescimento intelectual próprio e do outro, restringe e
anula os espaços onde poderia se manifestar a troca, a comunicação e o
diálogo.
O
arrogante que se ampara na autoridade da titulação e da norma legal burocrática,
pouco ou nada contribui para o desenvolvimento do livre debate, do livre
pensar: ele pensa, o outro é pensado e/ou repete o pensamento afirmado;
ele detém o conhecimento, o outro assimila-o a conta gotas; ele educa,
o outro é educado; ele prescreve sua opção, os outros o seguem; ele atua,
os outros vivem a ilusão de que são refletidos nele; ele afirma sua autoridade
funcional e se opõe à liberdade dos demais, pois que colocaria em risco
seu castelo de areia fundado num saber que não germina; ele é o sujeito
do processo, os outros meros objetos.
O
educador esquece que, também ele, precisa ser educado. O saber deste tipo
de educador, aparece como uma dádiva, como uma doação de quem se julga
o sábio dos sábios. Ele não apenas absolutiza a ignorância, mas aliena-a.
Consciente ou inconscientemente ele reproduz a ideologia da opressão:
só o outro é ignorante.
Numa
estrutura onde os mecanismos de controle induzem a práticas desvinculadas
de sentido crítico e solidário; onde a própria crítica é domesticada e
inserida no contexto de aniquilamento crítico da crítica, isto é, especulação
e institucionalização da crítica, coloca-se o desafio de não confundir
meios e fins, de não substituir os primeiros pelos segundos, nem de adotar
meios que sejam incompatíveis com os fins, ou mesmo, que expressem sua
negação.
Eis
os fundamentos da Revista Urutágua, uma concepção, política-pedagógica
que enfatiza a heterodoxia, sem negar o direito do ortodoxo se manifestar;
que expressa a crítica contundente à burocratização do saber formal e
institucionalizado, mas que se opõe frontalmente a qualquer postura sectária
diante deste; que, em suma, afirma a necessária liberdade de pensamento,
o estímulo à livre reflexão, a divulgação das idéias, o debate e a problematização,
enquanto requisitos imprescindíveis ao processo educativo e antídoto à
prática pedagógica burocrática.
A
Revista Urutágua busca estimular, a pesquisa e a elaboração teórica,
em especial dos que estão em seus primeiros passos na vida acadêmica.
A
Revista Urutágua procura se constituir num espaço necessário e
específico que possibilite ao acadêmico e ao não-acadêmico refletir sobre
as diferentes questões da realidade sócio-econômica, política, cultural
e filosófica, publicar e divulgar sua produção teórica.
Além
disso, trata-se de propiciar um espaço onde o livre pensar, sem qualquer
estorvo ideológico, possa fluir e, com isto, contribuir para o debate
democrático e pluralista sobre as questões pertinentes ao locus
universitário e à sociedade.
A
Revista Urutágua pauta-se pelo livre desenvolvimento e exposição
das idéias, recusa o pensamento único e doutrinário e pretende constituir-se
num fórum que privilegie a reflexão em lugar da reprodução.
A
Revista Urutágua – Revista Acadêmica Multidisciplinar, favorece
e fortalece o intercâmbio de idéias, projetos e pessoas, entre as diferentes
áreas do conhecimento.
Enquanto
espaço de estímulo à criatividade e produção intelectual, aberta à contribuição
democrática e pluralistas dos acadêmicos, docentes e a comunidade em geral,
a Revista Urutágua, advoga a necessidade de substituir o egoísmo
individualista pelo respeito mútuo, humildade intelectual e amor ao saber.
Mais que fundamentos teóricos, precisamos de novos fundamentos éticos e
de uma nova postura diante do conhecimento.