Ano I - Nº 03 - Dezembro de 2001 - Quadrimestral - Maringá - PR - Brasil - ISSN 1519.6178

 

Bases para um novo pensamento democrático: política, razão e sensibilidade

(Foundations for a new democratic thought: politics, sense and sensibility)

Ana Paula Paes de Paula [*]

 

Resumo:

O objetivo deste ensaio é avaliar barreiras pelo projeto moderno à construção democrática, como a instrumentalização da política e a expulsão da sensibilidade do domínio público. Discute-se então, a partir do pensamento de Hannah Arendt, bases para um novo pensamento democrático: a busca de um equilíbrio entre razão e sensibilidade que estabeleça condições para a reconstrução da esfera pública e a reintegração dos cidadãos na vida política.

 

Palavras-chave: democracia, esfera pública, razão sensível

 

Abstract:

This essay  tries to demonstrate that democratic building has two enemies: politics used as mere instrument for private interests and sensibility ejected from the public domain. Inspired in Hannah Arendt’s ideas, the author proposes foundations for a new democratic thought: sense and sensibility’s equilibrium to establish conditions for a public sphere’s rebuilding and citizens’ reintegration in the politics life.

 

Key-words: democracy, public sphere, sensitive sense

No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo que vive, tornam-se singularidade, e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade de seres singulares. (Hannah Arendt)

 

Ícone do pensamento científico moderno, Descartes acreditava que o bom senso ou a razão é o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso. Seu discurso pela busca da verdade como sinônimo da razão atravessou séculos e alicerçou o desenvolvimento do mundo moderno. E esta mesma razão que pautou a modernidade produziu tanto ordem e progresso, como inúmeros episódios de insensatez na história humana.

 

Não é por acaso que, inspirados na máxima weberiana Horkheimer e Adorno (1985 [1944]) identificam o esclarecimento como um “desencantamento do mundo”. Em sua obsessão pelo cálculo e pela utilidade, o esclarecimento expulsou da teoria as paixões, a diferença e a relatividade promovendo a desumanização do conhecimento e do saber. Como resultado, o progresso técnico e científico acumulado carrega a sombra do autoritarismo e o ônus do espírito anti-humano.

 

A prática bem-sucedida de decifrar os fenômenos naturais através da observação e da experimentação, decodificando os dados em leis que revelam a verdade científica levou à  suposição de que era possível fazer o mesmo com os fenômenos sociais e assim teve origem a física social de Comte (LÖWY, 1998 [1985]). Com o desenvolvimento do próprio pensamento científico, tanto as ciências naturais como as sociais se tornaram paradigmáticas e os cientistas passaram a praticar o que Kuhn (1997 [1962]) denominaria de “ciência normal”, fundamental para a consolidação e o sucesso de uma teoria científica.

 

No entanto, quando um paradigma se cristaliza, ele se transforma em fonte de poder e  tende a se constituir como um emblema de competência que legitima um conjunto de verdades totalizantes. Estabelece-se então o “desencantamento do mundo”, uma espécie de ditadura do conhecimento que suprime a relatividade e desautoriza  as paixões.

 

Dessa forma, ao abandonar o império da tradição e da superstição para abraçar as luzes do mundo moderno, a humanidade deixou para trás  não somente a suposta obscuridade da era medieval, mas também a compreensão do mundo através de sua dimensão sensível, pois a história humana passou a ser pautada por uma recorrente dicotomia entre razão e sensibilidade, onde a razão vem desempenhado o papel de protagonista.

 

Ao longo dos séculos, a  lógica da competência, também conhecida como  burocratização, migrou todas as esferas da vida moderna. Gradativamente, a opressão exercida pelas organizações passou a se reproduzir nas relações sociais. As práticas coercitivas invadiram para os micro-espaços e a sensibilidade dos indivíduos ficou sujeita à mutilações.

 

Neste contexto, a esfera do privado e da intimidade tornou-se o espaço plausível para as manifestações da sensibilidade humana. Isto vem favorecendo uma celebração do individualismo, pois neste espaço a sensibilidade se circunscreve ao campo do interesse pessoal em detrimento do bem coletivo e da percepção subjetiva da existência do outro.  Dessa forma, ao invés de  proteger a dimensão sensível dos seres humanos, a fuga para o mundo privado auxilia na banalização da violência e do autoritarismo social. 

 

Hannah Arendt e o resgate da política

 

Esta decadência da sensibilidade pode ser interpretada a partir do pensamento de Hannah Arendt.  Em A Condição Humana (ARENDT, 1997 [1958]), a filósofa alemã procura resgatar os significados originais do público, do privado, do político e do social para analisar a verdadeira natureza da política. Na sua visão, nos tempos modernos, a igualdade e a liberdade se tornaram noções dicotômicas e a individualidade evoluiu em individualismo. .

 

Isto era bastante diferente na polis grega: a igualdade era a própria essência da liberdade e ser livre, e portanto igual, significava estar isento da “desigualdade” presente nos ambientes onde existem governantes e governados. Desta forma, conquistar esta liberdade significava ser reconhecido publicamente como um indivíduo e para ter esta oportunidade, os homens compartilhavam da dificuldade de promover o bem comum.

 

O problema é que na era moderna, o social (que no entendimento de Arendt não representa o bem estar coletivo, mas os problemas privados dos indivíduos) substituiu o político, invadindo a esfera pública e a intimidade. Neste período da história, a esfera pública deixou de ser o espaço onde o homem afirmava sua singularidade e negociava o interesse público e se transformou em domínio do governo, sendo instrumentalizada para a legitimação da propriedade privada e para o acúmulo de riqueza.

 

Com esta privatização do público, à sensibilidade restou o domínio da esfera familiar, onde ainda é permitido ao homem se expressar relativamente livre da racionalidade e do discurso competente. Este mundo privado possibilita ao homem um espaço para extravasar sua dimensão sensível. No entanto, ainda que isto proporcione um certo conforto psicológico, não é suficiente para torná-lo humano, pois não supre a condição humana da pluralidade, que só pode ser exercida no domínio público e é fundamental para a vida política.

 

Dessa forma, a política deixou de um instrumento do cidadão na defesa do interesse público para se tornar uma função do Estado. O poder político passou a  ser caracterizado com uso da força, que é o  próprio fundamento do Estado moderno hobbesiano: a instância que tem o “monopólio legítimo da violência” para preservar a ordem e o interesse social.

 

Contestando esta posição e indo na direção da nova concepção de política, Hannah Arendt (ver FREITAG e ROUANET, 1993) afirma que o poder não é apenas a capacidade de dispor da vontade dos governados, ainda que esta tenha sido a experiência concreta nas organizações políticas do ponto de vista histórico. Na visão de Arendt, o poder só é legítimo se resulta de um consenso e não da violência. A partir desta noção de poder, a autora tenta resgatar o político como o elemento central da condição humana e como pressuposto da liberdade.

 

Para qualificar o poder como um produto do consenso, Arendt  considera a ação (praxis) e o discurso (lexis) como atividades políticas da mesma espécie, demonstrando que a ação política deriva do uso das palavras. Na sua visão, a coerção e a violência não constituem manifestações de poder, mas atitudes de um estado pré-político onde as diferenças não são  solucionadas através do diálogo.

 

O consenso ao qual se refere Arendt resulta de uma ação humana solidária  ocorre no mundo vital onde os a identidade individual e dos grupos é assegurada; um ambiente que, portanto, possibilita aos indivíduos compartilharem suas subjetividades. Esta é a esfera pública: um espaço de livre manifestação de idéias, onde as pessoas se encontram, são vistas e ouvidas, ou seja, um espaço que não se remete a um domínio privado (vida particular, privada), mas público (vida coletiva, social, de intercâmbio).

 

Quando a ordem estatal se burocratiza e utiliza excessivamente do expediente de representação, ela degenera em violência e o Estado tende a se tornar autoritário, perdendo gradativamente seu poder e legitimidade. Nestas ocasiões, a esfera pública entra em declínio, pois a violência impede o intercâmbio de opiniões entre as pessoas, destruindo as estruturas comunicativas que poderiam fazer o consenso surgir.

 

Esta visão de Arendt deriva de sua análise da experiência totalitária na Alemanha. Para a filósofa os horrores nazistas foram possíveis porque os homens tinham sido privados da comunicação, tornando-se prisioneiros de sua existência singular. Na sua interpretação, quando o ser humano  se aprisiona desta forma é porque ele está privado da comunicação e do senso de realidade que ela produz, do mundo comum que possibilita o reconhecimento da existência dos outros e da possibilidade de construir algo mais permanente que a própria vida.

 

Assim, a noção arendtiana de política tem como base o poder como consenso e está intimamente relacionada com o seu conceito de esfera pública: um espaço onde os participantes resgatam a ação política, procuram construir algo que também contemple as futuras gerações e buscam garantir a pluralidade, além de um denominador comum.

 

Política, razão e sensibilidade

 

Hannah Arendt não exibe nenhuma preocupação com a  formação e a estrutura do consenso que embasam sua visão de política: para a autora é suficiente que ocorra a ação política e que os interesses concretizados tenham como ponto de partida a preservação do bem estar coletivo no presente e no futuro.

 

As considerações arendtianas sobre a esfera pública foram retomadas por Jüergen Habermas (ver também LEFORT, 1991 e TELLES, 1990), que analisando o pensamento da autora procura estabelecer princípios para o seu funcionamento. Para Habermas (1996), o funcionamento da esfera pública depende da criação de procedimentos que possibilitem a participação do maior número de interessados no debate das questões públicas e o exercício da argumentação, de forma a garantir que o consenso seja construído a partir de bases racionais.

 

Mas seria o consenso estruturado e construído apenas através de regras, argumentação e racionalidade? Ora, partindo do princípio que o consenso nasce da compreensão do outro, ou seja, de uma comunicação entre subjetividades, mais do que palavras, na esfera pública compartilham-se emoções. Dessa forma, o resgate da política envolve uma recuperação da sensibilidade na esfera pública, além de uma reflexão cuidadosa a respeito da racionalidade.

 

Herdeiro de Frankfurt, Guerreiro Ramos (1989 [1981]) reexaminou a obra de Weber e constatou que além da racionalidade instrumental, que leva a atuação humana a se basear unicamente em interesses utilitários, há também uma racionalidade substantiva, que é valorativa e não tem expectativas de ganhos. O homem compartilha naturalmente destas duas racionalidades, de forma que elas sempre vão coexistir; mas a racionalidade substantiva é sistematicamente colonizada pela instrumental.

 

Esta definição de racionalidade substantiva como uma negativa da racionalidade instrumental sinaliza mais uma vez a dicotomia razão e sensibilidade. No entanto, é preciso analisar com mais cuidado esta metáfora da sensibilidade: ao invés de um simples não ao utilitarismo, ela não significaria uma expressão da existência de uma razão sensível, pautada pela intuição, percepção e experiência cotidiana? Neste caso, não se trata mais de sustentar a existência da dicotomia; pelo contrário, trata-se de elucidar que a sensibilidade também produz bom senso e  revela a verdade.

 

A questão fundamental é que uma conciliação entre razão e sensibilidade não foi contemplada em nenhum momento no projeto moderno. A partir da teoria crítica, Santos (1994) demonstra que o projeto da modernidade é constituído por dois pilares: a regulação (constituída pelos princípios do Estado, do mercado e da comunidade) e a emancipação (constituído por três lógicas racionais: a racionalidade estético-expressiva da arte e da literatura, a racionalidade moral e prática da ética e do direito e a racionalidade cognitivo-instrumental da ciência e da técnica). A falha fundamental deste projeto foi a dificuldade de equilibrar estes pilares, pois a história demonstrou que houve uma transformação incessante de energias emancipatórias em regulatórias.

 

Por outro lado, a construção da ética emancipatória foi comprometida pela  primazia da razão em detrimento da sensibilidade e da afetividade, como observou Young (1987). O caminho para a liberdade e a independência humanas foi todo traçado a partir da racionalidade da ciência e da técnica, ou atribuído à razão da ética e do direito. Para a sensibilidade, restou a arte e a literatura, reforçando a idéia de que esta não tem espaço no domínio das demais racionalidades.

 

Resgatar a política envolve também trazer a emancipação para um outro nível de compreensão, onde autonomia do ser humano precisa ser equacionada através de um delicado equilíbrio entre razão e sensibilidade. E principalmente onde além do intelecto, a razão sensível possibilita ao homem perceber e negar todas as formas de autoritarismo, fazendo dele um ser verdadeiramente livre e igual a todos os outros. 

 

Bases para um novo pensamento democrático

 

No domínio da política, a mesma sensibilidade que reconstitui a condição humana da pluralidade  é também a essência do pensamento democrático. Os caminhos para a construção da democracia também passam pela capacidade humana de se valer de sua  razão sensível para detectar as mais variadas formas de opressão e construir coletivamente o consenso.

 

Neste ponto, é de fundamental importância salientar que consenso não pressupõe a inexistência de contradições, mas é  construído a partir dos próprios conflitos. Quando estes  além de discutidos do ponto de vista instrumental também são vivenciados a partir da razão sensível,  viabilizam a compreensão da existência de outras visões de mundo e minimizam as  intolerâncias.

 

Certamente, a construção de um consenso racional e sensível pode ser facilmente apontado como uma ilusão formalista diante do mundo sistêmico no qual vivemos.  Nestes tempos de desencantamento, modelos formais costumam ser criticados pela impossibilidade de instrumentalização utilitarista.

 

Ainda assim sobrevivem pequenos oásis de contracultura, como as organizações populares e iniciativas comunitárias que partilham da cultura política dos movimentos sociais engajados há décadas na luta pela democracia no Brasil. Nestes espaços, cultiva-se a crença de que a idealização é o primeiro impulso para a transformação social. No entanto, também se  transcende o mero formalismo, pois neles realizam-se experiências inovadoras de administração do interesse público e de constituição de políticas sociais, que além de demonstrarem cotidianamente como se transforma ideais em realidade, inspiram as ações dos aparelhos oficiais de gestão pública, como prefeituras e secretarias municipais e estaduais.

 

Produto da razão e da sensibilidade humanas, a nova democracia imortaliza-se nos pequenos gestos e oculta-se em experiências inesperadas de emancipação, que se aprimoram todos os dias a partir de suas próprias falhas. Tomando como base, além das considerações formais, as exceções que se manifestam na realidade, é possível realizar uma síntese das bases que sustentam este novo pensamento democrático:

 

1. A partir da razão sensível, o novo pensamento democrático nega a violência, a intolerância e todas as formas de autoritarismo, legitimando o poder como o consenso que une os indivíduos e não como a dominação que os subjugam;

 

2. Esse consenso, racional e sensível é uma construção cotidiana que deriva dos próprios conflitos e contradições, refletindo o caráter dinâmico do interesse público. Neste contexto, a reconstrução da esfera pública é indispensável para viabilizar o exercício da condição humana da pluralidade, pois é neste espaço que dialeticamente ocorre a afirmação da individualidade e  o reconhecimento da existência do outro;

 

3. As conseqüências políticas da construção deste consenso precisam transcender a  vida cotidiana para  repercutirem também nas instituições, modificando a natureza da ciência, da técnica e do direito. Assim, a busca de soluções que contemplem o interesse público também passam por uma reinvenção contínua das instituições, que redistribua o poder político entre os cidadãos e leve em consideração a competência do discurso popular;

 

4. O novo pensamento democrático também se dedica a uma reflexão das grandes dicotomias do projeto moderno (público e privado; mercado e Estado; igualdade e liberdade...), trazendo à luz novas possibilidade de teorização e procurando superar o imobilismo que estas atualmente causam do ponto de vista da ação política; 

 

5. Esta reelaboração teórica busca radicalizar também o conceito de democracia,  libertando-a de seu tradicional apego às instituições legais e estatais, de modo a considerar as manifestações populares e culturais da vida cotidiana como partes constitutivas e fundamentais do tecido democrático, além de formas legítimas de atuação política.

 

Indubitavelmente, enormes são os desafios para a disseminação e a prática desta nova concepção de democracia. Em primeiro lugar, porque ela implica em uma subversão incessante em tempos em que impera um individualismo alienante que desvia os indivíduos das possibilidades revolucionárias. Apesar disso, é preciso notar que esta posição tende a se  desgastar à medida em que as possibilidades de emancipação através da via individual se esgotam. Por outro lado, o alargamento desta lacuna favorece a fomentação de idéias antes consideradas periféricas.

 

Em segundo lugar, posto que seja viável colocar em prática este novo pensamento, uma vez que este se fundamenta na construção de um consenso racional e sensível, a partir dos conflitos presentes nas diferentes percepções e projetos políticos, está pressuposta uma aceitação da diferença que, se radicalizada, pode ser tão arriscada quanto a exacerbação da igualdade. Além disso, como garantir que uma esfera pública composta a partir de diferenças também preserve seu caráter de universalidade?

 

Esses paradoxos talvez possam ser vistos sob um outro ângulo quando se considera que a publicização de uma identidade singular só é possível no contexto de uma identidade universal: a própria existência de uma esfera pública pressupõe um mundo comum entre os homens e quando este deixa de existir, inviabiliza-se o reconhecimento das diferenças. Desta forma, o primeiro passo para a reconstrução da esfera pública é o resgate de sentimentos humanos universais e o estabelecimento de um compromisso em torno do bem coletivo.

 

Uma vez que esteja em curso a edificação de um mundo comum, a própria dinâmica da construção do consenso viabiliza a admissão das diferenças. Ao se singularizarem na esfera pública, as diferenças são gradativamente incorporadas à coletividade, tornando-se parte integrante da universalidade. É justamente quando nega-se às diferenças a possibilidade de reconhecimento e visibilidade, que elas tendem a se radicalizar e se tornarem facciosas.

 

O terceiro e último ponto a ser considerado refere-se aos caminhos que conduzem à revitalização da esfera pública e aos procedimentos e regras que permitiriam a  construção do consenso neste espaço. Este talvez seja o maior desafio a ser enfrentado pelo novo pensamento democrático e depende muito mais de experimentação do que propriamente de reflexão; mas quaisquer que sejam as práticas a serem utilizadas para se alcançar o consenso, estas não serão as mesmas para todas as situações e não passam exclusivamente pela dimensão instrumental. É de fundamental importância perceber que a busca do consenso é modularizada por fatores das mais diversas naturezas (econômicos, históricos, culturais...), que necessitam ser julgados não somente pelo intelecto, mas principalmente mediados pela razão sensível.


[*] Mestre em Administração Pública e Governo pela FGV-EAESP, doutoranda em Ciências Sociais no IFCH-UNICAMP e pesquisadora da FAPESP

 

Contato: appaula@uol.com.br

 

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Referências bibliográficas:

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